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Eu gostaria que os outros fossem como eu!

 

Por Gérson Rodrigues

 

Você considera possível que a mesma pessoa que ergueu um império corporativo a partir do seu próprio trabalho e visão empresarial possa destruí-lo em um terço do tempo que levou para construí-lo?

É pertinente a ideia de que um gestor altamente competente possa criar um ambiente de trabalho de alta perversidade e competição insana?

Dá para entender o fato de que um profissional talentoso que possui todos os atributos para alavancar sua carreira não consiga avançar no rumo da realização de seus sonhos e projetos profissionais?

Será que estas e outras experiências insólitas encontram um culpado comum para tais resultados? A resposta é SIM! Há um culpado. O nome dele: EGO.

Durante 15 anos atuando com consultoria de gestão de pessoas, tenho observado o quanto empresários, executivos, gestores, líderes e até colaboradores têm gerado resultados desastrosos em seus ambientes profissionais devido ao ego.  

O ego é um elemento invisível que influencia sobremaneira na última linha do demonstrativo de resultados de qualquer empresa. Tanto para o lucro, quanto para o prejuízo.  

Na esfera do lucro, é um impulsionador, pois desperta a inventividade, a busca constante, a capacidade de perseverar no rumo da conquista, a coragem para experimentar o novo e a tenacidade para superar as dificuldades que inevitavelmente irão surgir pelo caminho. 

Por mais incrível que pareça, há muitas pessoas que não têm ego suficiente. Isto gera insegurança, falta de empenho, apatia e dificuldade em tomar decisões. Estes fatores paralisam culturas e líderes.

Por outro lado, na perspectiva do prejuízo, o ego tem gerado perdas consideráveis e até incomensuráveis para empreendimentos de todos os cantos do planeta. 

Pesquisas realizadas nos Estados Unidos da América junto a CEOs de empresas que figuram entre as 500 maiores da Fortune têm demonstrado que o ego tem custado entre 6% a 15% da receita anual dessas companhias

Muitos acreditam que esses números são conservadores. O fato é que o ego tem sido um “monstro” para os negócios em diversas culturas do mundo, inclusive a brasileira. 

Ele é o maior destruidor de oportunidades, um carrasco no tratamento das pessoas, gerador de ambientes perversos, obstruidor do pensamento sistêmico, limitador da criatividade, inibidor do planejamento, propulsor do puxa-saquismo, entre outros. 

Enfim, empresários, executivos, gerentes, líderes e/ou quaisquer pessoas com egos inflados tomam decisões absurdas, ignorantes, equivocadas e distorcidas. E isto acontece porque um indivíduo tomado pelo ego tem sua visão maculada pela própria arrogância

Por causa do ego, as pessoas tendem a se tornar prisioneiras de suas escolhas. Por exemplo, um gestor de RH com ego inflado pode ser levado a não sugerir a demissão de um profissional incompetente pelo simples fato de tê-lo selecionado. Demiti-lo seria assinar o atestado de incompetência. Evidentemente que o ego não permite tamanha demonstração de humildade.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Ohio, durante mais de duas décadas, demonstrou as três principais razões para as decisões empresariais não darem certo. São elas:

1. Mais de um terço de todas as decisões empresariais que não dão certo são motivadas pelo ego;

2. Após tomarem uma decisão, aproximadamente dois terços dos executivos jamais consideram alternativas, ou seja, são bloqueados pelo próprio ego;

3. Oitenta por cento dos administradores põem em prática suas decisões por meio de persuasão ou simples ordem. Isto significa que estão motivados pelo ego.


 

Os três fatores que mais influenciam o fracasso das decisões tomadas nas empresas estão ligados ao ego das pessoas que decidem.

O que é o ego e porque ele é tão impactante no comportamento humano?

A palavra ego vem do latim, língua na qual tem o sentido de “eu, eu mesmo”.  Na maioria dos casos, o que as pessoas percebem como ego está associado a comportamentos pouco interessantes, como arrogância, egocentrismo, presunção, entre outros. 

Parece que a pessoa possuidora de ego não consegue enxergar mais nada além dela mesma. No entanto, “eu, eu mesmo” nem sempre significa ensimesmado. 

Se você procurar pela definição da palavra nos livros de psicologia perceberá que a ideia de “um exacerbado senso de imodéstia” vem acompanhado da definição “autoconfiança”.  

Portanto, fica evidenciado aqui que o ego em si não é prejudicial às organizações. O que o torna um problema de difícil solução no comportamento organizacional é quando as pessoas deixam-no inflado. 

É justamente quando acontece aquele fenômeno bastante difundido na cultura popular: “Alguém deixou subir para a cabeça”.

O fator mais interessante que tenho notado em pessoas com o ego aumentado é que elas procuram indivíduos que sejam como elas mesmas

Espelhos que reflitam sua imagem e comportamento. É fácil entender por que, não é? O indivíduo egocêntrico quer sempre ver a si próprio refletido em tudo e em todos. Inequivocamente, elas dizem: “Eu gostaria que os outros fossem como eu”.

Como utilizar a energia mobilizadora do ego a favor do negócio? 

Tenho percebido na prática que pessoas que têm egos inflados necessitam ser desafiadas em seus posicionamentos. É preciso que elas recebam verdadeiros choques comportamentais para que possam mergulhar em momentos de reflexão, mesmo que sejam efêmeros. 

Quando todos concordam com as decisões baseadas principalmente no ego estarão contribuindo, por omissão, para a criação de um ambiente onde a sinergia, o comprometimento, a motivação e o espírito de equipe estarão longe.


 

Publicação: 21/12/2010 12:41:07
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