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Investir em educação é o primeiro passo para vencer a escassez de mão de obra qualificada

 

Fonte: Revista Melhor Gestão de Pessoas

Na palestra "Iluminando o apagão de talentos", executivos de grandes companhias fizeram um diagnóstico da situação e apontaram possíveis caminhos para solucionar o problema, que ameaça as próximas gerações de profissionais. Isso por que o Brasil enfrenta, hoje, uma grande escassez de mão de obra técnica, decorrente da desaceleração na formação de profissionais nos anos 80 e 90, e se vê responsável por sustentar um crescimento previsto de 7% da economia.

Lilian Guimarães, vice-presidente de RH do Grupo Santander Brasil, que assumiu o cargo na empresa durante a fusão com o Banco Real, contou sua experiência de gerir uma equipe de 50 mil pessoas, em meio à complexidade do mundo atual. Já a diretora de RH da Mendes Júnior, empresa do ramo de construção pesada, Lívia SantAna, falou do desafio de trabalhar com gestão de pessoas no pós-crise, numa época em que o investimento volta para a indústria de infraestrutura por causa da proximidade de eventos como a Copa do Mundo, Olimpíadas do Rio de Janeiro e exploração do pré-sal. Já Carlos Lubus, gerente de RH da Yara Brasil Fertilizantes, companhia norueguesa sediada no Rio Grande do Sul, falou sobre a importância do RH - que antes era apenas um administrador de pessoal e hoje tem a função de gerir pessoas - para superar o período da crise.

Mas afinal, existe ou não apagão de talentos? Sim e não, segundo os palestrantes. Lilian acredita que não há apagão, mas sim uma desconexão entre muitas pessoas desempregadas e muitas vagas de emprego, sem uma ponte que ligue uma coisa a outra. "Precisamos aprender a preparar os profissionais disponíveis para as vagas em aberto em vez de continuar tirando as pessoas de outras empresas, normalmente concorrentes", afirmou. Segundo ela, isso gera uma elevação de cargos e remuneração, promovendo profissionais que nem sempre estão preparados para assumir funções maiores. "Isso não faz bem nem às empresas, nem aos profissionais", ressaltou.

Para Lívia, da Mendes Júnior, o apagão é circunstancial, pois não há no Brasil um plano estruturado para o crescimento e as ações são tomadas à medida que os problemas surgem. "O governo e o setor privado não estão caminhando na mesma direção, é preciso pensar diferente para atingir melhores resultados, aproximando os dois caminhos", afirmou. Ela explicou, também, que no caso da construção civil, faltam engenheiros e técnicos para atuarem a curto prazo, o que requer soluções imediatas. Já no setor de agribusiness, Lubus classifica o cenário como "apagãozinho", uma situação que se não for reparada agora, tende a crescer. Na visão dele, existe muito desperdício no setor de educação, com esforços desassociados, o que gera falta de mão de obra em diversos segmentos, sejam pedreiros, engenheiros ou profissionais de tecnologia. "Há uma “poupança” de pessoas desempregadas e subempregadas que precisam ser resgatadas e capacitadas, caso contrário haverá um grande gargalo humano em breve", alertou.

Educação como base

         Em meio a cenários empresariais e regionais completamente diferentes, os três palestrantes concordam que, com apagão ou não, o grande problema com a mão de obra é a falta de atenção com a educação nas últimas décadas. Como, então, iluminar este apagão? Com um mercado cada vez mais competitivo, eles acreditam que a solução é a preparação da força de trabalho e a formação das gerações futuras, em ações com foco no curto e longo prazo.

E na falta de maiores esforços do governo, as empresas acabam sendo pressionadas a assumir sua responsabilidade e agir. Nesse sentido, os executivos citaram exemplos de ações que envolvem grupos de empresas promovendo parcerias com instituições de ensino para estimular a formação técnica, e também para reduzir a evasão no ensino básico. O objetivo é desenvolver profissionais e colocá-los no mercado de trabalho o quanto antes, sem deixar de lado a orientação das novas gerações com relação à importância de investir na carreira.

Quanto à colocação imediata de profissionais no mercado, Lívia acredita que o caminho é atrair pessoas que realmente possuem afinidade com a empresa e sua área de atuação, que trarão ganhos reais aos projetos. Em função da lacuna deixada pelos anos 80 e 90 pela falta de investimento em formação técnica, Lubus defende o esforço coletivo e rápido para não deixar passar a janela de oportunidades que o país apresenta no momento. "O papel das empresas é escancarar as portas para as pessoas, com programas que ajudem a mudar esta situação, seja por meio de estágios, trainees ou outros modelos", reforçou o gerente da Yara Brasil.

Segundo ele, também é importante que as companhias unam forças com entidades de classe e sindicatos para discutir menos ideologicamente e encontrar soluções práticas. "Investir na aceleração e melhoria da educação no país também é papel fundamental das empresas, levando benefícios para as gerações futuras", concluiu Lilian. Já para Lívia, no futuro, o que fará diferença é um país sinérgico, que trabalhe em conjunto o empresarial e o público.

Publicação: 24/01/2011 23:28:58
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